Não é de hoje que observo pessoas em constante ato de efesa X ataque. Pessoas que em convesas tão simples e muitas vezes banais se defendem como se estivessem numa guerra, para isso atacam a outra parte.

Pessoas assim são de difícil diálogo, estão sempre cheais da razão, não gostam de ouvir o outro lado e por vezes são frias/ insensíveis; porque por qualquer motivo sentem-se ameaçadas e logo atacam, costumam alterar a voz, a postura, humilham, algumas até são agressivas fisicamente. Manter conversa com pessoas assim é um desafio e por vezes para evitar esses tipo de situação, as pessoas evitam o indivíduo assim não enfrentam tal situação e desgaste.
Do ponto de vista psicanalítico, a postura defensiva constante pode ser compreendida como um mecanismo de proteção do ego diante de vivências emocionais que, em algum momento da história psíquica, foram excessivas ou impossíveis de serem elaboradas. A frieza aparente não indica ausência de afeto, mas, ao contrário, revela um excesso que precisou ser contido para garantir a sobrevivência psíquica.
Responder sempre na defensiva sugere a presença de um estado de alerta permanente, como se qualquer contato afetivo fosse vivido como potencialmente invasivo ou ameaçador. Nesse funcionamento, o outro é percebido menos como interlocutor e mais como risco. Assim, o sujeito antecipa o ataque e se protege antes mesmo que ele exista, repetindo uma lógica construída em experiências passadas de desamparo, rejeição ou invalidação emocional.

Os traumas fazem parte da vida desse indivíduo, porém ele os nega, por vezes afirmam que o que aconteceu no passado lá ficou, mas na realidade, sem perceberem vivem corroendo esses sentimentos.
A negação ou o não reconhecimento dos próprios traumas pode ser entendida como uma defesa contra o sofrimento psíquico. Admitir a existência do trauma implicaria entrar em contato com afetos dolorosos, muitas vezes associados à sensação de fragilidade, dependência ou perda de controle — estados que esse sujeito aprendeu a evitar a qualquer custo. Dessa forma, o trauma não desaparece, mas se manifesta de maneira indireta: na rigidez emocional, no distanciamento afetivo e na dificuldade de simbolizar sentimentos.
A frieza, portanto, funciona como uma couraça. Ela organiza o mundo interno, mantém certa estabilidade e impede que conteúdos inconscientes emerjam de forma desorganizadora. No entanto, essa mesma defesa que protege também limita: empobrece os vínculos, dificulta a intimidade e mantém o sujeito preso a repetições que reforçam a solidão psíquica.
Sob essa perspectiva, o trabalho psíquico não consiste em eliminar as defesas, mas em torná-las menos rígidas, permitindo que o sujeito reconheça, aos poucos, a origem de sua dor. Somente quando há espaço para nomear o trauma é que a defesa pode deixar de ser uma prisão e passar a ser uma escolha.
Encarar os traumas não é tarefa fácil, implica em mexer e tratar feridas, causa dor, mas também é libertador, pois ao reconhecer o peso começa a diminuir e conhecer seus limites tarz crescimento pessoal e interpessoal.
Busque ajuda!
Dra Évelin Sales


