Do ponto de vista de Bert Hellinger, o dar e receber é espontânea, assim deve ser, dá-se sem cobrar receber, mas o receber é natural, seria uma consequência de boa vontade. Caso contrário gera descompensação e desequilíbrio, problemas começam a surgir.
A pessoa que se doa ou dá demais, às vezes em busca de compensação, não chantagem, mas como uma busca interna de superar algo e receber um afeto. Esse doar demais enfraquece os dois lados e quem tanto doa murcha, perde força, essência, coragem e outros.
Esse doador passa a cobrar para receber de volta (busca de preencher algo dentro de si), pois como esta fraco e sem forças necessita de ajuda para continuar a vida. Essa cobrança é desgastante para os dois lados.
Quem muito recebe tende a se acomodar, tende a tornar-se egoísta, arrogante e superior, além de merecedor de tudo de bom que recebe, sugando o outro até o fim.
Interessante que um dia cansará de receber, pois no fundo sabe não ser merecedor, tende então a desprezar e abandonar a relação.

Essa pessoa não está disposta a equilibrar, começa a sentir culpada por não dar e como não pretende fazer (não há interesse); então, simplesmente vai embora e/ou busca uma nova relação.
Essa problemática atinge todos os tipos de relações, não exclusivamente relações conjugais. É necessário ter consciência, a terapia pode ajudar nessa conscientização. Não será fácil esse confronto, mas faz-se necessário, somente assim pode-se encontrar o equilíbrio.
Algumas vezes, mudanças mais duras precisam ser feitas, o doador precisa encontrar o amor e valor próprio e assim não mais mendigar receber aquilo que o outro não está disposto a dar. Também, aprenderá dar na medida, sem buscar nenhum tipo de compensação.
Em suma, quem muito doa enfraquece e quem muito recebe despreza e abandona. O equilíbrio é necessário.
Por Dra. Évelin Souza


