Segundo o dicionário Online de Português a palavra Contenção significa:https://www.dicio.com.br/contencao/ “Ação ou efeito de conter, de controlar ou de reprimir.”
Essa semana deparei com uma situação rara e bastante triste também.
Uma criança de 7 anos, com um histórico bastante difícil, desde pais usuários de substâncias não permitida ao abandono dos pais , que a deixaram com parentes e estes que os abandonaram para o conselho tutelar.
Com essas breves palavras já é possível perceber o quanto esta criança apresenta problemas comportamentais e afins. Acostumada a desobediência como meio para chamar atenção e sendo reprendida a mesma entrou em “crise”(usarei esse termo, mas esclareço que não foi uma crise emocional ou algo semelhante).
A mesma começou a gritar, chutar porta, bater nas coisas, completamente alterada, precisou se contida por sua segurança.
Foi nesse momento que lembrei-me de um relato de Bert Hellinger https://pt.wikipedia.org/wiki/Bert_Hellinger em seu livro *A CURA, página 91.leia o texto extraído do livro:
“Então sentei-o sobre meu colo, com suas costas contra minha barriga. Prendi suas pernas entre meus joelhos. Contive-o com tanta força, que ele não conseguia se mover. Pedi à mãe que segurasse sua cabeça, para que ele não pudesse mover e nem ela. Iniciei então uma terapia da contenção com ele.
Talvez você fique chocado. Como se pode tratar dessa forma uma criança? Por favor, leia primeiro o que se segue.
Contive-o dessa maneira por cerca de vinte minutos. Ele se debateu e gritou o tempo todo.
Enquanto isso expliquei aos pais como podiam assumir de mim o ato de contenção, pois o processo geralmente dura no mínimo uma hora. Quando chegou a hora do intervalo do almoço, entreguei o filho ao pai.
O pai tomou-o nos braços e conteve-o da forma como me havia visto fazendo, mas dessa vez com as barrigas se tocando. A criança lutou com todas as forças e, como suas mãos estavam presas, cuspia na cara do pai. A mãe ajudava a segurar a criança e limpava o cuspe do rosto de seu marido.
Fui almoçar e voltei uma hora depois. Tudo estava calmo. A criança estava nos braços da mãe, adormecida.
O casal permaneceu mais um pouco e, quando se foram, o menino acenou para mim. Estava mudado. Havia reencontrado o toque.”

É muito interessante que a busca pelo toque é essencial, necessária e não somente as crianças buscam, é uma criação de um vínculo, de pertencer e sentir-se protegida.
Então, fiz isso com a criança, durante uns 30 minutos, ela gritava e tentava soltar-se, mas a forma que a segurei a protegia de machucar-se, eu calmamente olhei pra ela, passei a mão em seus cabelos e disse, eu estou aqui.
Quase imediatamente ela acalmou-se e pude solta-la, ela deitou-se e a acompanhei, deitei na sua frente e conversei, ela permaneceu numa calma e adormeceu.
Foi uma experiência diferente, pois eu já havia orientado muitos pais a fazerem, mas dessa vez tive o privilégio de contribuir com essa criança.
Passei o resto do dia pensando nisso, sobre o toque que pode transformar uma situação, sobre a criança e muitos adultos também que gritam no silêncio pedindo ajuda e para serem amados.
Nem todos os atos difíceis de uma criança são por isso, a criança sabe manipular, por isso precisa de disciplina, mas pensar nessa situação pode ser muito útil. Assim como o adulto a criança também tem seus traumas, como disse hoje a uma pessoa: “ajude uma criança assim estará ajudando um adulto, pois muitos adultos tem suas crianças feridas.”
Busque ajuda.
Dra Évelin Souza
Referências
- Hellinger, Bert. A CURA. Belo Horizonte. Editora Atman. 2014. 144p.


