Quando Narciso morreu o lago de seu prazer mudou de uma taça de águas doces para uma taça de lágrimas salgadas, e as oréades (ninfas) vieram chorando pela mata com a esperança de cantar e dar conforto ao lago.
E quando elas viram que o lago havia mudado de uma taça de águas doces para uma taça de lágrimas salgadas, elas soltaram as verdes tranças de seus cabelos e clamaram: “Nós entendemos você chorar assim por Narciso, tão belo ele era.”
“E Narciso era belo?”, disse o lago.
“Quem pode sabê-lo melhor que você?”, responderam as oréades. “Por nós ele mal passava, mas você ele procurava, e deitava em suas margens e olhava para você, e no espelho de suas águas ele refletia sua própria beleza.”
E o lago respondeu, “Mas eu amava Narciso porque, quando ele deitava em minhas margens e olhava para mim, no espelho de seus olhos eu via minha própria beleza refletida”.
(Conto o Discípulo, de Oscar Wilde (1854-1900) foi um importante escritor irlandês).https://www.culturagenial.com/contos-curtos-para-ler-agora-mesmo/
Baseado no mito de Narciso, onde ele é apaixonado por sua própria imagem refletida na água e acabou caindo no lago e nunca mais foi visto.
Agora do ponto de vista do lago, havia o mesmo sentimento, o lago amava a Narciso pois vi-se nele, de certa forma tanto o lago como Narciso são semelhantes.
Podemos aproveitar esse conto e observar outro fator, o lago amava Narciso porque nos olhos dele poderia enxergar-se e diante do que via, poderia amar-se.
É fato que muitas pessoas precisam de outras para encontrar o amor próprio, há pessoas que usam outras para sentirem amadas e também aquelas que se encontram em outras.
A questão é simples, acontece uma busca pessoal, uma busca do eu, do si, vista de forma distorcida, fazendo com que haja dependência de outra pessoa para poder encontrar-se a si.
O amor próprio só pode ser visto e encontrado pela pessoa e nunca em outra, se isso acontecer, haverá frustração, manipulação e etc.

Comece seu autoconhecimento escrevendo num papel coisas que gosta ou que não gosta, comida, filme, música, livro e assim aos poucos compreendendo quem você é. Aos poucos estará conhecendo-se e tendo prazer nisso.
O amor próprio não é narcisismo.
Por Évelin Souza


