Ontem conversando com uma amiga, ela usou a seguinte frase: “isso que ele faz comigo é violência doméstica”.
Fiquei pensando nessas palavras e resolvi aproveitar o Agosto Lilás, que é uma campanha contra a Violência contra a Violência Feminina, neste mesmo mês quem que completa 15 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006).https://www.camara.leg.br/assessoria-de-imprensa/789499-campanha-agosto-lilas-comemora-os-15-anos-da-lei-maria-da-penha/
Esta lei que trata do combate à violência contra mulher, não somente ao físico ou sexual, mas também verbal, emocional ou psicológica, moral, institucional, política, financeira e patrimonial.
Note-se o crescimento de casos de violência feminina, muitas mortes foram relatadas, a mídia ajudou a divulgar essa realidade que estava ofuscada, por anos a mulher ficou calada.

Essa realidade mudou? Infelizmente não, apesar da Lei Maria da Penha e divulgação dos direitos das mulheres, o que acontece dentro de uma casa, ainda fica lá. Muitas dizem, ele não me bateu, ou ele estava somente nervoso, ou pior ainda, a culpa foi minha.
Caramba, essa mulher pode ser esposa, namorada, filha, mãe, tia, sobrinha, amiga, colega; essa violência acontece dentro de casa e poucas são as que conseguem denunciar e ir adiante.
Muitas recuam porque pensam:“se ele for preso, como me sustentar?”ou “ele nunca tinha feito isso antes” ou “ele pediu desculpas e prometeu nunca mais fazer” ou “ele é o pai de meus filhos, como eles ficarão quando souberem que o pai foi preso?”ou “o que os outros vão pensar?” ou escutam deles “quem vai acreditar em você”? ou a negação: não sofro esse tipo de coisa”
E assim as coisas seguem, o medo e a vergonha impedem o avanço da busca de seus direitos e mulher, como no passado continua calada. Mesmo sabendo de seus direitos, estão caladas diante de uma sociedade que julga seus atos, e por medo dessa sociedade estão caladas.
Há também o caso da falta de reconhecimento de sua situação, no fundo sabe que esta violência não esta certa, mas não admite que esta dentro de sua casa.
Que triste, sei que muitas lerão isso e pensarão: é verdade. Lágrimas podem rolar de seus olhos e a dor desse momento revelada pelas lembranças de seu sofrimento.
Cara mulher, você não tem culpa de viver isso, mas você não pode ficar aí parada. Converse com alguém que possa lhe orientar o caminho a seguir, não precisa ir correndo até uma delegacia, mas busque ajuda o quão breve possível. Esse ciclo precisa ser quebrado.
Você não estará sozinha, não será desamparada, não será discriminada. Você é especial e precisa resgatar sua autoestima destruída diante dessa situação. Quando isso acontecer, você olhará para traz e será grata a si mesma por ter tido coragem de dizer não.
Você não esta sozinha, busque ajuda, não aceite isso como sua cruz, não aceite isso como normal, pois não é. Lembre-se que não é somente agressão física ou sexual e que a mulher em questão não é necessariamente a companheira, mas a filha, irmã, sobrinha, tia, avó, neta, ou seja, todas mulheres.
Digo mais, a violência verbal, muitas vezes é a pior, ela é debilitante, destrói como um veneno dado em doses homeopáticas.
Dê uma basta. Conte comigo.
Por Dra Évelin Souza


